EDITORIAL


Por que escrever sobre moda?
Em um mundo dominado pelo império da imagem, iniciar um veículo fundado essencialmente na escrita não parece um investimento muito pertinente. Abrimos nossos feeds de Instagram, TikTok etc. e somos inundados por vídeos e imagens de curta duração, que não só têm diminuído nossa capacidade de foco por qualquer coisa que dure mais do que dois minutos, como também têm diminuído a nossa paciência e curiosidade para aquelas atividades que exigem mais do nosso cérebro do que uma simples absorção de conteúdo.
Por outro lado, concomitante a essas transformações que as redes têm promovido nos nossos cotidianos, vemos um esforço de algumas pessoas em retomar hábitos analógicos – uso de fones com fio, câmeras digitais dos anos 2000, leituras de livros e revistas em seu formato impresso – justamente estabelecendo uma antítese a essas transformações tecnológicas.
Em vista disso é que nasceu essa ideia do Contraponto, uma plataforma de conteúdo sobre moda, beleza e comportamento, sob a visão dessa editora que vos escreve, em constante reflexão sobre a sua identidade enquanto mulher moderna nessa sociedade contemporânea.
E, de modo a situar você, leitor, temporalmente, nessa trajetória, devo dizer que o início dos trinta anos teve um impacto considerável na hora concretizar esse projeto. Num mundo em que as mulheres conseguem ter filhos aos quarenta (vejamos Anne Hathaway, promovendo A Odisséia com seus lindos looks, gravidíssima), exercer cargos de liderança, auferir renda superior à de seus companheiros e companheiras e estar em plena forma após os 60 anos (vejamos a maravilhosa Jane Fonda!), quais são as angústias e os dramas que essa mulher de trinta anos acaba enfrentando?
Partindo para a essência dessa plataforma, passo a me questionar de que forma o que vestimos comunica para o mundo; por que compramos o que compramos; até que ponto a roupa que adquirimos é produto de uma sociedade de consumo voltada para uma eterna insatisfação com o que já temos; como lidar com as mudanças tecnológicas que afetam a nossa forma de vestir; enfim. São muitos os temas a serem explorados para tentarmos entender sobre esse elemento cultural da vida humana que é a moda. E são sobre essas e outras ideias que quero refletir junto com você, leitor.
Particularmente, esses pensamentos têm sido atravessados pela mudança estética (e psicológica também, por que não?) que passamos dos 20 para os 30 anos. Algumas roupas não fazem mais sentido, não há mais identificação com determinada peça. É desse ponto de partida que pretendo pensar alguns tópicos, a partir também da minha vivência na área das ciências sociais, o que confere uma perspectiva interessante de reflexão sobre esses assuntos.
No Contraponto você encontrará poucas imagens, intencionalmente. As ilustrações são feitas primordialmente por inteligência artificial, com poucos elementos chamativos, de forma propositada. A ideia é priorizar a escrita como um elemento central de produção. Por isso, criei essa plataforma, pensando em um meio de comunicação que vai de encontro às tendências imagéticas que temos visto. Afinal, o que é moda, assim como a escrita, senão um fenômeno humano por excelência?
Espero que você aprecie a jornada e nos acompanhe, seja no tablet, seja no celular, seja no seu computador. Será ótimo ter você por aqui!
Com carinho,
Ana Luísa.




Comentários